domingo, 3 de julho de 2011


“Eu escrevo sem esperança de que o que escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro.”

(Clarice Lispector)
Foto: Najla Santos

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O menino que carregava água na peneira


Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira

Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.

(Manoel de Barros)

domingo, 19 de junho de 2011


“Livros não são folhas empoeiradas, não são um amontoado de páginas cansadas e tristes. São exatamente mãos, braços e pernas que libertam, que arrebentam as algemas de nossa vil ignorância, tornando-nos tão desafiadores quanto a vida nos apresenta ser, e tão perigosos quanto as ciladas que se armam vez por outra no caminho. Os livros libertam. Seja uma pessoa livre!”

(Desconheço o autor)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Cartaz para uma feira do livro


“Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.”

(Mário Quintana)

sexta-feira, 3 de junho de 2011


“De dentro de mim não saio nem pra pescar.”

(Manoel de Barros)
Foto: Najla Santos

terça-feira, 31 de maio de 2011

Insônia


A noite mal dormida me fez pensar na brevidade da vida e no quanto é importante manter por perto aqueles com quem nos importamos.
De imediato, esse pensamento nos faz lembrar daquelas pessoas amadas que não estão ao alcance de um abraço. Porém, tão importante quanto manter perto aqueles que estão longe é manter perto aqueles que estão fisicamente perto. Essa é uma falha constante, pois quando se diz em estreitar laços o pensamento voa ao encontro de quem está a quilômetros distante de nós, e aqueles que estão ao nosso lado diariamente são tão raramente valorizados. Nos acostumamos tanto com sua presença que só nos damos conta de que não lhes dedicamos afeto suficiente quando já é tarde demais.
Por mais longa que seja, a vida nunca é longa o suficiente e sempre deixamos coisas por fazer. Portanto, diga o que deve ser dito, faça o que deve ser feito, mas faça logo.
O depois não existe. A vida é agora.

(Layanne Rezende)
Foto: Gustavo Carrijo

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Kauan


Amor. Não sei dizer o que é, como acontece ou porque vem, o que sei é que nunca havia experimentado sensação de amar tão grande quanto essa.
Só me pergunto como uma pessoinha tão pequena pode despertar um sentimento tão infinito.

(Layanne Rezende)
Foto: Gustavo Carrijo

domingo, 29 de maio de 2011

Só na vontade...


"Às vezes tenho vontade de ter em mim o riso solto, cheio de escândalo e verdade, com gosto de ninguém é mais feliz do que eu;
Ás vezes tenho vontade da lágrima caindo no rosto, expressão da dor sentida, cheia de pesar e tristeza, com gosto de eu preciso de um ombro;
À vezes tenho vontade de ter asas imensas, que dê vôos rasantes e que plaine sobre as colinas, cheias de liberdade, com gosto de não podem me pegar;
Às vezes tenho vontade de dar passos, deixar pegadas e me levar para longe, cheios de tudo posso, com gosto de ir e vir;
Às vezes tenho vontade de ser palavra, que tudo relata, que cala e se faz secreta, cheia de possibilidades, com gosto de eternidade;
Às vezes tenho vontade de ser silêncio, que nada diz, cheio de tantas coisas, com gosto de mistério insondável;
Às vezes tenho vontade de ser verdade...
Às vezes tenho vontade de ser mentira...
Às vezes tenho vontade de ser milagre!"

(Paula Ivony Laranjeira)